2017-06-26



A imperfeição é aquilo que me fascina.


[Pedro Jóia, aqui]


Sabemos hoje que a depressão é uma dor muda. Nick Drake deu-lhe voz, fê-la cantar. Estranho é que nos apazigúe ouvi-lo, tanto quanto nos comove. As suas canções são a expressão de uma tristeza e de uma dor que reivindica a nossa cumplicidade, estabelecendo entre o intérprete e os ouvintes pontes apenas concebíveis no domínio da arte. Em vida, tais pontes falham. Em vida, a tristeza permanecerá invariavelmente isolada numa das margens. A mais obscura. Ninguém a convidará para dançar.  

[Um excelente texto do Henrique sobre Nick Drake...e não só.]


2017-06-24

precioso

depois quer ser levada a sério


A Direita encontrou o seu mártir - Sebastião Pereira.

o infantilismo católico


porque hoje é sábado



Kati Horna, Guerra/Revolução 1936-1939

2017-06-21

coisas pequenas




luz/sombra


[Os Ocidentais] nas divisões das casas, evitam os recantos o mais que podem, pintam de branco o tecto e as paredes que os rodeiam. Até no desenho dos jardins, onde nós arranjamos bosquezinhos sombrios, eles estendem amplos relvados planos.
Qual poderá ser a origem de uma diferença de gostos tão radical? Pensando bem, é porque nós, Orientais, procuramos acomodar-nos aos limites que nos são impostos, que desde sempre nos satisfizemos com a nossa presente condição; consequentemente, não sentimos repulsa alguma pelo que é obscuro, resignamo-nos a ele como algo de inevitável: se a luz é fraca, pois que o seja! Mais, afundamo-nos com delícia nas trevas e descobrimos-lhe uma beleza própria.


Junichirõ Tanizaki in Elogio da Sombra
Relógio D'Água
Trad. Margarida Gil Moreira

#imagem - Hashimoto Gaho, 1835-1908

2017-06-18


O sol embaciado pelo fumo, a cinza que polvilha o chão do quintal e o silêncio pesado, apenas cortado, a espaços, pelos trinados das aves, fazem memória de todos os que perderam a vida ou lutam por ela. É tão frágil o que nos sustém.